Ultra define R$ 1,8 bilhão para investimento em 2016

Contemplando três quartos do valor para seus dois principais negócios - distribuição de combustíveis e especialidades químicas -, o grupo Ultra anunciou ontem um pacote de investimentos de até R$ 1,8 bilhão para o próximo ano. É quase 30% superior aos R$ 1,4 bilhão que projetou um ano atrás para execução em 2015.
Thilo Mannhardt, presidente do Ultra, disse ao Valor que a companhia, que opera cinco áreas de negócios no Brasil e exterior, tomou a decisão após avaliar as perspectivas, internas e externas, de cada um dos setores em que está presente. "Vimos novas vertentes para os nossos negócios; por isso, chegamos a um plano de investimento superior ao de 2015", afirmou o executivo, no cargo desde o início de 2013.
A empresa, disse Mannhardt, não se guiou pelo cenário atual da economia do país. "Sobre a recuperação econômica do Brasil, acreditamos, como todos do mundo empresarial, que ela vai demorar um longo tempo". Na sua avaliação, "não é possível ter uma reviravolta depois dos erros de gestão [do governo] vistos nos últimos anos", pontuou.
A área de distribuição de combustíveis, a cargo da Ipiranga, ficou com R$ 887 milhões. Os recursos, explicou o executivo, são para dar continuidade á expansão desse negócio, em especial no território que abriga as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. "Aí, temos 14% de participação de mercado, enquanto no Sul e Sudeste chegamos a 27%".
O plano prevê abrir 300 a 350 postos com a bandeira Ipiranga, entre novas unidades e embandeiramento de postos de bandeira branca de pequenas redes. "Há muitas oportunidades hoje para embandeiramento", afirmou. A expectativa é que 60% venham disso, invertendo o que ocorria antes.
Do total para esse negócio, R$ 354 milhões serão destinados para manter o ritmo de expansão da rede de distribuição e de franquias am/pm e Jet Oil e para novos centros de distribuição, visando atender lojas de conveniência. A área de logística, com construção e ampliação de bases de operação, vai receber R$ 112 milhões. Para manutenção e modernização das atividades da empresa foram reservados R$ 421 milhões.
A segunda maior fatia do plano anual do Ultra envolve a controlada Oxiteno, companhia de especialidades químicas que tem um plano de expansão nos EUA, em uma fábrica em Pasadena. O investimento aprovado totaliza R$ 460 milhões para 2016 e esse valor contempla cerca da metade (US$ 65 milhões) para a construção de nova unidade de etoxilação em seu site, situado no Texas.
Anunciada em novembro, a expansão será concluída até o fim de 2017, com capacidade para produção de 170 mil toneladas ao ano no estágio final. "Esse projeto no Nafta foi estudado longamente, pois integra-se com nossa posição no México, gerando flexibilidade de produção, ao lado matéria-prima, e para exportação na região", afirmou Mannhardt.
A maior presença da Oxiteno no Nafta faz parte de uma estratégia de diversificação do risco da companhia, hoje com forte dependência do negócio de distribuição de combustíveis tocado pela Ipiranga. "Buscamos dividir o risco e continuar sendo um jogador relevante no Nafta na área de especialidades químicas", disse. Além do Brasil - onde a Oxiteno investiu alto de 2008 a 2011, gerando capacidade para ser consumida, nas atuais condições do mercado até 2019 ou 2020 -, a empresa está presente no Uruguai e Venezuela.
A terceira maior fatia do programa de 2016 do Ultra foi para a distribuidora de gás Ultragaz, uma das líderes nesse negócio no país, com R$ 208 milhões. Os recursos serão concentrados na captura de novos clientes em envasado e granel, na reposição e aquisição de vasilhames, na ampliação e manutenção de bases de engarrafamento e na área de tecnologia.
No mais novo negócio do grupo, a rede de farmácias Extrafarma, serão alocados R$ 124 milhões. O valor será aplicado principalmente na abertura de novas lojas e manutenção. A previsão é de 80 a 90 lojas em 2016, cerca do dobro previsto para fechar este ano, informou Mannhardt. Hoje a rede conta com 250 unidades.
A Ultracargo, que neste ano teve de lidar com a consequência de um incêndio que afetou sua base no porto de Santos, deverá investir R$ 118 milhões. os pontos listados são modernização de sistemas de segurança dos terminais, expansão do terminal de Itaqui, que deverá entrar em operação em 2017 - e cujo números do desenho de capacidade estão em fase de finalização - e na adequação e manutenção da infraestrutura dos terminais existentes. "O setor portuário e de infraestrutura está começando a se mexer de novo no país e na região de Itaqui surgem novas oportunidades para nós", disse.
O plano de investimento, informou o executivo, tem condições de ser suportado com recursos próprios da companhia. Se surgir oportunidade de crédito a custo vantajoso no EUA, vai avaliar se usa para expansão da Oxiteno. "Temos musculatura financeira para executar com caixa próprio".

Valor Economico